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A ansiedade que triplicou: os transtornos mentais que mais cresceram no trabalho (2019–2024)

Entre 2019 e 2024, os afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil mais que dobraram . Mas a média esconde o mais importante: alguns diagnósticos…

Por Turi

A ansiedade que triplicou: os transtornos mentais que mais cresceram no trabalho (2019–2024)

Entre 2019 e 2024, os afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil mais que dobraram. Mas a média esconde o mais importante: alguns diagnósticos cresceram muito mais rápido que outros. A ansiedade, sozinha, praticamente triplicou. Os números são oficiais, vêm da base do INSS e foram organizados pela Iniciativa SmartLab (MPT + OIT).

A ansiedade lidera a disparada: +212%

Em 2019, os transtornos ansiosos (CID F41) motivaram 44 mil auxílios-doença. Em 2024, foram 137 mil — um crescimento de 212%, mais que o triplo. Nenhum outro transtorno de alto volume cresceu tão rápido. Enquanto o total de afastamentos por saúde mental subiu 110% no período, a ansiedade cresceu quase o dobro desse ritmo.

CIDTranstorno20192024Crescimento
F41Transtornos ansiosos44.002137.185+212%
F31Transtorno afetivo bipolar20.34550.810+150%
F43Reações a estresse grave e adaptação8.17518.832+130%
F33Depressão recorrente27.17651.809+91%
F32Episódios depressivos59.068111.365+89%

A depressão (F32) segue sendo o maior transtorno em volume absoluto, com 111 mil afastamentos em 2024. Mas foi a ansiedade que redesenhou o mapa: cresceu mais rápido e assumiu a liderança.

O estresse do trabalho tem um CID próprio — e cresceu 130%

Entre todos os diagnósticos, um conversa de forma quase literal com o ambiente de trabalho: o F43, reações a estresse grave e transtornos de adaptação. É a categoria que descreve o colapso diante de pressão, sobrecarga e mudanças mal conduzidas. Ela saltou de 8 mil para quase 19 mil afastamentos — um crescimento de 130% em cinco anos.

Não é coincidência que os diagnósticos mais associados a pressão sustentada — ansiedade e reações ao estresse — estejam entre os que mais crescem. Eles são o retrato clínico de ambientes que adoecem.

Não é só "mais diagnóstico" — é um problema de ambiente

Uma leitura comum atribui a alta apenas à maior procura por diagnóstico e à redução do estigma. Isso explica parte da curva, mas não toda. Quando o crescimento se concentra justamente nos transtornos ligados a estresse e ansiedade, e quando ele supera em muito o ritmo dos demais, o dado deixa de ser só sobre saúde individual: passa a ser sobre as condições de trabalho que produzem esse adoecimento.

É essa a lógica da NR-1, que passou a exigir das empresas brasileiras a identificação e a gestão dos riscos psicossociais — sobrecarga, falta de autonomia, assédio, jornadas exaustivas — no mesmo nível dos riscos físicos e químicos.

Cuidar começa por medir

O crescimento não é uniforme, e é aí que está a oportunidade de agir. Saber quais fatores de risco pressionam cada equipe permite intervir antes que a pressão vire diagnóstico e o diagnóstico vire afastamento.

É isso que a turi faz: transforma dados dispersos de RH, clima e saúde em um mapa de risco psicossocial com base científica e compliance à NR-1. Porque o que cresce no silêncio só se enfrenta quando começa a ser medido.

Fonte e metodologia

Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho da Iniciativa SmartLab (Ministério Público do Trabalho e Organização Internacional do Trabalho), a partir de benefícios concedidos pelo INSS. Consideramos os auxílios-doença previdenciários (espécie 31) classificados nos CIDs do grupo F, comparando os anos de concessão de 2019 e 2024. Crescimento calculado sobre o número absoluto de benefícios de cada categoria de CID. Consulta realizada em 2026.